"Agora, o maior tema relacionado a constrangimento familiar ainda é o casamento. De longe. Prova disso é que, se não fosse por ele, o assunto SOGRA nunca existiria. Simplesmente a figura mais citada em piadas do Brasil. Já reparou que não existe chance de falar sobre sogra e emendar um assunto normal? Sempre fica meio anedota.
- Doutor, a minha sogra está morrendo.
- Hahahahahahaha. Essa é muito boa... Conhece a do português?
Sabendo que isso é um clichê dos tempos modernos, me pergunto: porque mesmo assim as pessoas resolvem se casar? Poxa, se isso fosse tão importante, por que um segundo atrás a pessoa tava na dúvida se CASAVA ou comprava uma bicicleta? De onde veio essa teoria? A pessoa fica na dúvida?
- Putz, com a bicicleta eu vou ter mais liberdade.
- Mas em compensação com o casamento eu tenho uma pessoa a minha disposição 24 horas por dia.
- Ou seja, no dia que a bicicleta me trouxer cerveja, não tem pra ninguém.
Fora que, diferente do casamento, a bicicleta ainda emagrece. E num casamento normal, chega a ser 59 mil reais mais barata.
Deus do céu... Por que o casamento é tão caro? Deve ser por isso que é o único momento do mundo em que você vê um homem chorando. Emoção? Nada. É porque gastou 40 mil numa só festa.
- Com esse dinheiro eu podia ter comprado uma baita bicicleta. E ainda sobrava dinheiro para eu comprar algumas mulheres.
Já a mulher que chora sempre pra tudo, não. Dessa vez entra sorrindo.
- Essa maquiagem custou 200 reais... Não posso borrar, não posso borrar.
Aliás, se o casamento é feito especialmente para a noiva, por que ela faz sempre questão de atrasar? Não dá uma impressão de que agora ela ta desdenhando isso tudo? Tipo, ”agora que você topou, eu nem quero mais”. E outra: o que tanto ela faz que sempre se atrasa?
- Putz, já to meia hora atrasada para o meu casamento. Mas não saio daqui de casa enquanto não receber 10 RT no meu Twitter.
Só o vestido da noiva custa uma fortuna, e pra ser usado uma vez na vida! Ainda bem que casamento é ritual de católico, porque se fosse de judeu, você ia ver a mulher vestida de noiva comprando pão no supermercado.
- Comprou o vestido, agora usa. Não gastei dinheiro á toa.
Ou já pensou como seria com o buquê?
- Olha, legal que você pegou o buquê, mas meu marido gastou 600 reais nele. Entende, né? Você pode ficar com esse vale:” EU PEGUEI O BUQUÊ DA FESTA DA JU.” Até porque andar com o buquê, na verdade, é a única garantia de que você vai terminar a festa solteira. Que homem vai chegar numa moça que está a um passo de se casar?
Fora que você gasta para os outros se divertirem. E sempre tem um que reclama.
- Ai, achei a fitinha do bem-casado tão comum.
Deve dar uma vontade de falar:
- Diferente foi o jogo de panelas que você me deu na lista de presente, né? Bem criativo, diferentão... Afinal, a minha esposa só vai fazer isso da vida, né? Cozinhar! A gente, engordar que nem um porco. Se pelo menos eu tivesse comprado a bicicleta... dava uma emagrecida.
Não adianta. Casamento é uma época de mudanças. Muda a responsabilidade, muda o comportamento, muda até o uniforme que joga pelada com a turma. Você muda do time “sem camisa” direto para o arquirrival “Com camisa”.
- Olha, o fulano vai ter que ser transferido para o Flamengo.
- Como assim ?
- Pois é, ele casou. Não pode mais ficar no Vasco.
- Mas, e agora?
-Calma que já, já ele volta. A moça é biscate. Não dou três meses de casório."
Texto extraído do livro "e se o STAND-UP virasse um livro?" de Maurício Meirelles. Li e recomendo.